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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica Olutador 3872 Sociedade 800×350

Guerras climáticas, a nova ameaça [1

Síria: a mais longa seca
Entre 2006 e 2011, a Síria viveu a mais longa seca e a maior perda de colheita já registrada desde as primeiras civilizações do Crescente Fértil. Dos 22 milhões de pessoas que habitavam então o país, quase um milhão e meio foi afetado pela desertificação, o que causou migração em massa de agricultores, criadores de gato e suas famílias para as cidades. Esse êxodo elevou as tensões causadas pelo afluxo de refugiados iraquianos que se seguiu à invasão norte-americana em 2003.
Num planeta marcado
por desigualdade
e devastação natural,
aquecimento
pode converter-se em novo
estopim de grandes migrações e conflitos. Em que condições eles ocorreriam?
Durante décadas, o regime do Partido Baath, em Damasco, negligenciou a riqueza natural do país, subsidiando as culturas de trigo e algodão que requerem muita água e incentivando técnicas de irrigação ineficientes. A criação intensiva do gado e o aumento da população reforçaram o processo. Os recursos hídricos reduziram-se à metade entre 2002 e 2008.
A “combinação de mudança econômica, social, ambiental e climática erodiu o contrato social entre os cidadãos e o governo, catalisou os movimentos de oposição e provocou uma degradação irreversível do poder de Assad”, dizem Francesco Femia e Caitlin Werrell, do Centro do Clima e Segurança. Segundo eles, a emergência do Estado Islâmico – EI e sua expansão na Síria e no Iraque resultam, em parte, da seca. […]
China sem chuva
No leste da China, durante o inverno de 2010-2011, a falta de chuvas e as tempestades de areia, que levaram o governo de Wen Jiabao a lançar foguetes na esperança de desencadear precipitações, tiveram repercussão em cascata, muito além das fronteiras do país. A perda de colheitas forçou Pequim a comprar trigo no mercado internacional.
O aumento dos preços mundiais que se seguiu alimentou o descontentamento popular no Egito, o maior importador de trigo do mundo, onde as famílias gastam em comida, atualmente, mais de um terço de seus recursos. A duplicação do preço da tonelada de trigo, que passou de 157 dólares, em junho de 2010, a US$ 326, em fevereiro de 2011, foi fortemente sentida nesses países, muito dependentes da importação. O preço do pão triplicou, o que aumentou o descontentamento popular contra o regime autoritário do presidente Hosni Mubarak.
El Niño no Sul
No mesmo período, as colheiras de trigo, soja e milho no Hemisfério Sul foram atingidas por La Niña, um fenômeno climático severo que provocou uma seca na Argentina e chuvas torrenciais na Austrália. Num artigo da revista Nature, Solomon Hsiang, Kyle Meng e Mark Cane estabeleceram uma correlação entre as guerras civis e o fenômeno de Oscilação Sul El Niño (ENSO, na sigla em inglês), que, a cada período de três a sete anos, provoca uma acumulação de águas quentes ao longo das costas do Equador e do Peru, bem como uma reversão dos ventos alísios do Pacífico, associadas a padrões climáticos importantes em nível mundial. Para Hsiang e seus colegas, a probabilidade de conflito civil dobra durante o ENSO. Esta é a primeira demonstração de que a estabilidade das sociedades modernas depende muito do clima global.
As mudanças climáticas tornaram-se um “multiplicador de ameaças” e modificam o curso das relações internacionais. À segurança dura herdada da Guerra Fria sucede a segurança natural, conceito forjado pelos militares norte-americanos reunidos no seio do Centro para uma Nova Segurança Americana (Center for a New American Security).
As causalidades
se mostram complexas,
instáveis
e em
evolução;
os efeitos do aquecimento
global pesam
mais ou menos
sobre as
sociedades
Atividades humanas desestabilizam o clima
As causas da insegurança ambiental não podem mais ser reduzidas a elementos puramente exógenos e naturais como as erupções vulcânicas, os tsunamis ou os terremotos. As atividades humanas, a aceleração dos ciclos produtivos e sua globalização concorrem para desestabilizar o clima. O neologismo “antropoceno” designa essa pegada excessiva das sociedades industriais sobre o sistema Terra.
No Ártico, onde o gelo poderia derreter-se completamente até o final do século, e onde os efeitos do aquecimento global são duas vezes mais intensos do que em outros lugares, a reivindicação de novas fronteiras terrestres e marítimas reaviva as tensões entre países situados em torno dos polos. A Rússia, que explora o Ártico há séculos, é o único país a possuir frota de quebra-gelos nucleares. Um modelo gigante, em construção nos estaleiros de São Petersburgo, será concluído em 2017.
Moscou renova também sua frota de submarinos ultrassilenciosos de quarta geração, lançadores de mísseis com ogivas nucleares. Do lado norte-americano, a abertura do Ártico é apresentada tanto como um negócio comercial em concorrência à Ásia quanto como uma possibilidade de garantir novos recursos energéticos.
O degelo do Ártico impõe seus efeitos sistêmicos. A variação do vórtice polar, corrente de ar glacial do Polo Norte, explica o frio intenso que se abateu sobre a América do Norte durante o inverno de 2013-2014. “A interação entre o Ártico e o aquecimento global é algo novo na história da humana, porque ela transforma o encontro entre a geografia e a geofísica, nessa região, em um poder novo e estranho, de natureza geofísica, que chamamos de “potência ambiental do Ártico”. Este se exerce em escala planetária, com consequências enormes”, observa o especialista em estratégia militar Jean-Michel Valantin.
No entanto, o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC aponta que não existe uma teoria estável que possibilite sugerir a ocorrência de conflitos armados no Polo Norte. O degelo permitirá validar ou não a robustez das instituições de cooperação transfronteiriça nos polos, tais como o Conselho do Ártico. As causalidades se mostram complexas, instáveis e em evolução; os efeitos do aquecimento global pesam mais ou menos sobre as sociedades, em função da resiliência dos sistemas políticos, econômicos e sociais de cada lugar.]
[Continua no próximo número
AGNÈS SINAÏ
Fonte: Outras Palavras

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