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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista O Lutador 3861 Pedro A

Fraternidade, Igreja e Sociedade: CF-2015

Pedro A. Ribeiro de Oliveira
Sociólogo, professor emérito da UFJF e PUC-Minas

O LUTADOR: A Campanha da Fraternidade (CF) 2015 terá como Tema: Fraternidade, Igreja e Sociedade. Qual a pertinência deste tema no momento social e eclesial em que vivemos?

Pedro R. Oliveira: Dificilmente a CNBB conseguiria encontrar tema de reflexão tão pertinente e atual quanto é o tema da CF-2015: “Fraternidade, Igreja e Sociedade”. Isso porque, 50 anos depois da publicação da Constituição Pastoral Gaudium et Spes (GS) a Igreja Católica ainda tem muito a refletir e a avançar no modo de relacionar-se com o mundo em que vivemos. Aquele documento, que é uma das maiores contribuições do Concílio ecumênico Vaticano II para a renovação da Igreja, foi tão inovador, que até hoje muita gente prefere ignorá-lo para não se sentir obrigada à profunda conversão pastoral de que fala o Documento de Aparecida. Apontarei aqui apenas um ponto, que me parece crucial: seu método.

Logo na abertura (nº 4), a GS expõe como a Igreja deve aproximar-se do mundo atual: “é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas”.

Investigar os sinais dos tempos como ensina Jesus em tom de desafio (cf. Mt 16,2-3): aí reside a ruptura com o método doutrinário que busca verdades eternas para aplicá-las ao tempo presente. É preciso fazer a leitura crítica das realidades do tempo presente para perceber nelas os sinais das realidades futuras. Essa leitura pede uma interpretação à luz do Evangelho para se elaborarem respostas adequadas ao momento histórico. Ora, esta é a formulação teológica do método ver, julgar e agir: a Igreja, guiada pelo Evangelho, deve traçar suas linhas de ação a partir da realidade vivida por seus destinatários. Ou seja, ela não deve ficar a repetir suas verdades, como faziam (e ainda fazem!) os conservadores, mas deve pautar suas relações com o mundo atual sobre o diálogo franco e aberto.

O LUTADOR: O lema desta CF é “Eu vim para servir”. Aonde este lema quer nos fazer chegar?

“Eu vim para

servir”

Pedro R. Oliveira: O lema é ótimo. Pena que o cartaz desvie a atenção para o serviço litúrgico e não faça referência ao serviço a quem é socialmente marginalizado como seria, por exemplo, a imagem do Papa ao lado de imigrantes clandestinos. De todo modo, o lema deve despertar-nos para o serviço em áreas apontadas como prioritárias pelo Papa em sua exortação A Alegria do Evangelho, como são a Paz mundial (estamos na 3ª guerra mundial “em capítulos”), a acumulação da riqueza mundial em poucas mãos, os Direitos Humanos, especialmente dos grupos e pessoas mais vulneráveis, ou o aquecimento global e a crise climática (tema da próxima encíclica).

Outros campos que clamam por uma Igreja “em saída” para servir são apontados pela CNBB: o projeto de lei de iniciativa popular para a Reforma Política e a inadiável demarcação das terras indígenas e quilombolas.

O LUTADOR: O que podemos esperar como frutos concretos desta CF?

Pedro R. Oliveira: Deve-se esperar de uma campanha da fraternidade que ela opere conversões, isto é, mudanças de rumo na vida das pessoas para que atuem na transformação da realidade em que vivem. Afinal, a Igreja não é um fim em si mesma: ela existe em função do anúncio e da construção do Reino de Deus. É pena que muita gente tenha perdido essa visão missionária de serviço ao Reino no mundo, e tenha reduzido a missão da Igreja a arrebanhar fiéis para participarem de suas celebrações.

As celebrações são importantes, sim, mas é por seus frutos que devem ser avaliadas: se alimentam a santidade pessoal, mas não impulsionam os fiéis a tornarem o mundo mais humano, justo e pacífico, alguma coisa está falha… Veja as celebrações da Quaresma e da Semana Santa: elas devem fazer a memória da vida de Jesus, que não recuou ao se ver ameaçado de morte, e morte vergonhosa na cruz! Participar dessas celebrações sem participar – ainda que imperfeitamente – da missão libertadora de Jesus, seria colocar-se como espectador, e não como discípulo e discípula que o seguem naquela missão na esperança da Ressurreição.

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O LUTADOR: Em síntese, o que mais favorece e o que mais dificulta abraçar as CF’s na Igreja do Brasil? E o que é possível pensar do futuro das CF’s no Brasil?

Pedro R. Oliveira: A Campanha da Fraternidade é uma criação brasileira. Nas Igrejas cristãs da Europa já existiam campanhas quaresmais para arrecadação de fundos de partilha com Igrejas necessitadas, mas aqui a CF vai além da oferta em dinheiro, ao convocar todo o povo a agir em favor da Justiça e da Paz. Cada ano, ao definir o tema, ela aponta um problema que precisa da atenção da Igreja e da sociedade. É, portanto, um serviço de grande valor para a humanização da sociedade brasileira, e bastaria isso para justificar todo o esforço que fazemos para que tenham sucesso.

Embora elas toquem em pontos que nem todo mundo gosta de lembrar – como o desemprego, o racismo, as prisões, as drogas, os povos indígenas e outros mais – a sociedade percebe que a Igreja aponta problemas reais que precisam ser corajosamente enfrentados, e não varridos para baixo do tapete.

Nas Igrejas cristãs da Europa já existiam campanhas quaremais para arrecadação de fundos de partilha com Igrejas necessitadas, mas aqui a CF vai além da oferta em dinheiro, ao convocar todo o povo a agir em favor da Jutiça e da Paz.

Enfim, deve ser lembrado que as Campanhas da Fraternidade colaboram enormemente para dar à Igreja Católica uma boa imagem diante da opinião pública. Se ela continua sendo uma das instituições de maior credibilidade no Brasil, não é porque faz belas celebrações ou promove devoções de massa, mas sim, porque se mostra firme na missão profética de apontar o que vai mal na sociedade atual e incentivar seus membros a atuarem com a força da Fé na construção de um mundo onde reinem a Justiça e a Paz.

Por tudo isso, tenho grande entusiasmo pelas Campanhas da Fraternidade. Às vezes o tema é mais fácil ou atraente; outras vezes é preciso fazer esforço para deixar-se envolver por ele e participar firmemente da Campanha da Fraternidade, mas o certo é que a cada Campanha da Fraternidade damos mais um passo em direção a um mundo melhor de viver. Assim, só posso dizer: vamos lá!]

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