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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Falar De Si 2016 Rdf

Falar de si

Pe. Luís Paulo Fagundes, SDN*

Por mais seguro que a gente seja, quando o negócio é falar de si, nos sentimos desconfortáveis. Um leve friozinho na barriga é sinal de que não estamos preparados. E há várias razões para nos sentirmos assim.

Primeiramente é que não somos acostumados a isso. Ninguém fala de si, mas todos falam de todos. Depois, temos medo de nos expor. Afinal, falar de si é falar de coisas muito pessoais, da nossa intimidade, nossos medos e traumas, decepções e desilusões, fracassos e conquistas; é exaltar-se, mas sobretudo humilhar-se, partilhar nossa pequenez.

Falar de si é tirar a vestidura que iludidamente achamos que nos protege do revelar quem somos. É como desnudar-se, uma entrega total, sem saber se seremos acolhidos ou não. Por mais que se mostrem amigas, e mais confiáveis que se digam, temos medo de revelar quem somos. Uns preferem não se arriscar e até dizem: “Todos têm seus segredos para serem felizes!” Já outros vencem essa dificuldade, arriscam-se, acreditam, abrem-se na confiança. E nesse gesto, nessa ousadia, encontram um caminho para aliviar as tensões, para pôr para fora aquilo que sufoca, maltrata, mata aos poucos. Falar de si ameniza a dor e aponta o caminho para a felicidade.

Na verdade, quando falo de mim estou dando a oportunidade ao ouvinte de me amar como sou: sem máscaras, como realmente sou. Pois só se ama a quem se conhece. É impossível amar o desconhecido! Por outro lado, se falo de mim, esse gesto é um convite ao outro para que fale dele também. Então, falar de mim é convidar o outro a falar de si, a dar-se a conhecer na confiança. É um comprometer-se mutuamente.

Existem aqueles que, após terem passado por essa experiência, sentiram-se extremamente felizes e seguros. Sentiram-se motivados a se lançarem ainda mais na relação de amizade. Tornaram-se incentivadores dessa graça de falar de si. Por outro lado, outros não tiveram a mesma sorte, não conseguiram dar esse passo e por isso se fecharam, achando impossível confiar verdadeiramente. Então, o que se pode fazer para superar esse limite e não se sentir mal, nem ter desilusões quando o assunto é falar de si?

Para se falar de si, a pessoa, em primeiro lugar, tem que sentir-se segura: o ambiente e quem vai ouvir devem ser confiáveis e preparados para o momento. Não se fala de si para qualquer um ou para pessoas que não estão devidamente preparadas para tal função. Para escutar, tem que ter habilidades próprias para a escuta, não basta ter boa vontade. Ter boa vontade, mas não saber determinar o foco, ficar dando conselhos, falar de experiências próprias, não ser capaz de guardar sigilo, em nada ajuda.

Se a pessoa já se encontra num estado não muito confortável consigo mesmo e passa por uma situação dessas, fica ainda pior. O que acontece, na maioria das vezes, é que falamos com pessoas despreparadas, na hora errada e em ambiente inadequado. Então, o resultado só pode ser decepcionante.

Na minha ainda pequena experiência nos grupos de convivência de formação humana, é perceptível certa tensão. Isso se dá quando chega o momento de nos apresentarmos de uma maneira mais profunda, deixando-nos conhecer um pouco mais, saindo da superficialidade comum no nosso dia a dia. A grande maioria tem vontade de sair do ambiente; se houvesse uma porção mágica por ali, eles a usariam para desaparecer daquele lugar.

O engraçado é que depois que todos falam e são ouvidos com atenção pelos outros, o clima de tensão se transforma em alegria. Muitos fazem questão de falar ainda mais, ressaltando algo que, devido ao nervosismo, ficou esquecido e é importante que todos saibam. Os rostos truncados dos participantes dão lugar a semblantes alegres, contentes pelo sucesso de falar de si, ouvir aos outros e se tornarem mais próximos, mais amigos, mais dignos de confiança.

Falar de si não é fácil. Nossa própria experiência não nos deixa enganar quanto a isso, porém, quando o fazemos com as pessoas certas, em lugares adequados e numa boa hora, o resultado é benéfico e nos ajuda a crescer e nos torna melhores do que somos, pois nos leva a um encontro com nós mesmos.

* Pároco de Alto Jequibá, MG

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