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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Evangelizar de modo novo a partir da urbanidade

Pe. Gelson Luiz Mikuszka, C.Ss.R*

 

Nesses novos tempos, a configuração da realidade mudou e, na realidade urbana, precisamos reconfigurar também a nossa ação evangelizadora. Desse modo, é preciso nos perguntar sobre como evangelizar a partir desses lugares e suscitar discípulos missionários que evangelizem essa realidade. A Realidade Atual: Desde as ultimas décadas o Brasil tem experimentado uma realidade tipicamente urbana. Segundo dados do IBGE, a população rural em 1940 era estimada em 69% contra 31% da urbana. No ano 2010 a população rural baixou para 15,6% e a urbana subiu para 84,4%.

Tais dados mostram que em poucas décadas a configuração demográfica mudou assustadoramente no país. O país se tornou mais urbano, conglomerando diversas culturas, etnias e ambientes distintos em espaços muito próximos. As transformações provindas dessa mobilidade – do campo para a cidade – possibilitaram a mentalidade urbana brasileira. É importante deixar claro que o “ser urbano” não pode ser visto como configuração espacial territorial de cidade, sim como uma cultura, um modo de vida e de visibilidade no mundo. Por essa cultura urbana nascem as transformações dos valores, hábitos e pensamento, influenciando o social, político, econômico e religioso. Nessas mudanças drásticas cabe-nos, como Igreja, perguntar sobre o tipo e o modo de evangelização mais própria para os grandes centros urbanos. Desse modo, evangelizar na cidade é evangelizar a cultura urbana.

 

Ruralidade x Urbanidade

No mundo rural há uma sacralidade bem exposta, pois é Deus quem dá o fruto, a verdura, manda a chuva, abençoa as colheitas e os animais. Dele dependem as coisas. Revelando-se a imagem de um Deus providente, que merece ser louvado, amado, lembrado e honrado, pois dele dependem muitas coisas. As amizades são mantidas na base da partilha e das trocas: mata-se um boi e este é partilhado com todos, sendo sempre uma prática recíproca. Há reuniões de vizinhos para conversar sobre os problemas da região, do clima, das desavenças entre vizinhos ou familiares, etc. A festa de casamento ou a morte de alguém é sempre motivo de encontros e celebrações comunitárias. A visita entre famílias é sempre motivo de alegria e de muita conversa. Exerce-se a solidariedade e o reconhecimento humano. A construção de uma casa, galpão ou um roçado a ser terminado em tempo urgente é motivo de solidariedade de todos os vizinhos e parentes. Uma vida bem marcada pela comunitariedade, solidariedade, fraternidade e proximidade. Um mundo quase todo feito de incluídos, visíveis e identificados.

Na cultura urbana Deus perde seu lugar de providente para uma mentalidade econômica e de sobrevivência familiar individual. Cada família fecha-se em seu mundo e não se preocupa com os outros. Há edifícios com mais de 100 famílias e 90% não se conhece ou nunca se cumprimentaram. No urbano, todos estão preocupados em pagar o condomínio, a luz, a água, em comprar frutas, verduras, alimento, vestuário e trabalhar muito para ter cada vez mais comodidades. As amizades até acontecem, mas sempre com pessoas distantes de onde se mora, para evitar compromissos mais sérios ou por medo de ser incomodado por quem quer que seja. Essa solidão e afastamento humano geram o medo, por isso o mundo urbano é feito cada vez mais de muros e sistemas de segurança. As pessoas não confiam e ignoram que podem ser ajudadas pelas outras.

Há uma clara fragmentação humana, comunitária, religiosa e social. Multiplicam-se casas e dinheiro, mas não solidariedade, fraternidade e fé. Fica de lado a referência do Deus providente em detrimento do deus-economia. O individual sobrepõe-se ao comunitário. Cada um age por si. A cultura urbana junta e separa, aglomera e segrega. Um mundo de visíveis e invisíveis, de excluídos e incluídos, de identificados e sem identidade, de pessoas com endereço e sem endereço.

 

O Catolicismo e sua dificuldade em evangelizar o Urbano

A história do cristianismo mostra que ele nasceu e se desenvolveu, nos primeiros séculos, num espaço tipicamente urbano. Parece estranho falar em dificuldades de evangelizar nesse ambiente se ele é fruto desse contexto. Portanto, as dificuldades do agir missionário no contexto urbano apontam para uma drástica mudança dentro do cristianismo. O que teria mudado que o deixou distante da cultura urbana? O que teria de buscar de novo para reconfigurar sua ação? Lembremos que o catolicismo é uma experiência específica do cristianismo, compartilhada por cristãos que vivem em comunhão com a Igreja de Roma, portanto, não é o cristianismo todo. Pesquisadores apontam que a Igreja católica tem deixado de atender os pobres de modo mais incisivo, e estes tem acorrido às denominações evangélicas.

Diz-se que os católicos fizeram opção pelos pobres e os evangélicos os assumiram. Por atuar mal nos estrados mais pobres da sociedade brasileira, que compõe a maioria de pessoas que vivem na cultura urbana, a Igreja católica tem ficado com as camadas sociais mais bem estabelecidas. Deixou de olhar pelos sem endereço e olha mais para os que têm endereço, para os bem casados, etc. Tem reunido seu fã clube e se contentado com ele. Havia um fã-clube de Jesus, que o queria só para ele e que tentava afastá-lo das crianças, dos doentes, dos leprosos e até da morte. A atitude do fã-clube de Jesus é de não deixar que os excluídos se encontrem com ele. Mas, Jesus, munido de muita sensibilidade, extrapola seu fã-clube e traz para perto de si as crianças, o cobrador de impostos, a adúltera, o jovem morto, a samaritana, etc. Ao afastar-se dos pobres, o catolicismo distancia-se do projeto de Jesus, por isso, tem tomado uma postura mais rígida, mais doutrinal, menos preocupado com a justiça; tem se acomodado e, consequentemente, tem sido menos missionário.

Assim, é possível dizer que não foi o cristianismo que mudou sua configuração na cultura urbana, mas é o catolicismo que, com suas peculiaridades, tem precisado viver melhor o cristianismo. Evangelizar a cultura urbana exige que o catolicismo repense sua catolicidade desencantada. Um dos principais motivos do desencanto é a multidão de batizados não evangelizados, descompromissados e sem referencial entre fé e vida (cf. DAp, 2007, n.13;38).

Há carência de discipulado. Renovar a catolicidade é buscar de novo uma identidade católica que oriente a participação da pessoa em sua comunidade eclesial e na sociedade, num buscar de novo a missionariedade pela pessoa do Cristo. Mais do que falar de doutrina e Igreja é preciso, antes de tudo, falar e anunciar o Cristo. Ser Igreja é consequência da fé em Cristo, não ao contrário.

 

A Evangelização na Cultura Urbana

A encíclica Redemptoris Missio diz que a Igreja precisa encarnar o evangelho nas culturas, o que requer tempo e processo (Cf. RM, 1990, n.52). A diversidade é característica marcante da cultura urbana. Nela convivem antogonismos: gritos e silêncios, choros e risos, festas e tristezas, nascimentos e mortes, pobres e ricos, etc. Um monumental mosaico. Pensar uma ação missionária evangelizadora, em qualquer contexto urbano, exige trabalhar com o diferente, divergente, ausente, contraditório, contrário e de grande mobilidade. Isso é conflitivo, tenso, exige desacomodo, observação, tempo, paciência e muita espiritualidade. Para entrar em apartamentos, casas e condomínios somos barrados. Para falar de um Deus que é justo no salário, misericórdia no crime, perdão na ofensa, solidário na partilha e compromisso na comunidade exige profetismo e extrapolar o fã clube.

É preciso voltar à mística do Deus providente, que não fica cuidando para que seus filhos não caiam no buraco, mas que orienta seus filhos a encontrar juntos, como família/comunidade, uma saída. O Deus providente não retira os sofrimentos, mas ajuda a encará-los de modo diferente. É importante perceber que o Reino de Deus se apresenta pela visibilidade e acontecimento, não pelo lugar. O agir missionário no urbano exige conhecer a realidade e o comportamento urbano. Estipular horários que sejam mais condizentes com a realidade que envolve o urbano. Buscar serviços mais amplos, além da paróquia e das foranias. Fazer um planejamento missionário para além dos limites fechados de paróquias, dioceses ou institutos. Ter estruturas mais justas, contribuindo para que a cidade seja mais justa e mais humana. Investir em comunidades solidárias, fraternas que sejam sinais para a urbanidade, isso exige mais formação para os leigos nas dimensões sociais e comunitárias.

A evangelização no meio urbano urge pela participação dos leigos, caso contrário, dificilmente acontecerá. É preciso um resgate do leigo, que requer pessoas liberadas e investimento. Investir em pequenas comunidades de vários tipos, com um ideal comunitário cristão. Há tantas outras pistas a serem propostas para a pastoral urbana, mas de nada adianta ter propostas, pistas, reflexões e recursos se não há um desejo humano para isso. Ele é o primeiro princípio modelador de uma nova mentalidade.

 

* Doutor em Teologia pela FAJE – BH

Fonte: Contact

 

 

phillyevang.org

 

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