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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Educar os filhos para a liberdade, sugere o Papa

Pe. Sebastião Sant’Ana, SDN*

 

Retomamos o capítulo VII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia (sobre o amor na família) em que o Papa destaca a importância de investir na educação dos filhos.

Na perspectiva de Francisco, a educação envolve a tarefa de promover liberdades responsáveis, pois a liberdade é um dom imenso. Esclarece que uma formação ética válida implica mostrar à pessoa como é conveniente, para ela mesma, agir bem.

Muitas vezes, hoje, é ineficaz pedir algo que exija esforço e renúncias, sem mostrar claramente o bem que se poderia alcançar com isso. “É necessário maturar hábitos. Os próprios hábitos adquiridos em criança têm uma função positiva, ajudando a traduzir em comportamentos externos sadios e estáveis os grandes valores interiorizados” – orienta o Papa (AL, 266).

 

A liberdade é algo grandioso

Para Francisco, a liberdade é algo grandioso. Por isso, “a educação moral é cultivar a liberdade através de propostas, motivações, aplicações práticas, estímulos, prêmios, exemplos, modelos, símbolos, reflexões, exortações, revisões do modo de agir e diálogos que ajudem as pessoas a desenvolver aqueles princípios interiores estáveis que movem a praticar espontaneamente o bem” (AL, 267). Deste modo, entende que “a virtude é uma convicção que se transformou num princípio interior e estável do agir. Assim, a vida virtuosa constrói a liberdade, fortifica-a e educa-a, evitando que a pessoa se torne escrava de inclinações compulsivas desumanizadoras e antissociais” (Idem).

O que interessa acima de tudo no processo educativo – ensina o Papa – é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia (cf. AL, 260). A educação envolve a tarefa de promover liberdades responsáveis, que, nas encruzilhadas, saibam optar com sensatez e inteligência (cf. AL, 262).

 

O valor da sanção como estímulo

No n. 268 da Exortação Amoris Laetitia, o Papa considera que “é indispensável sensibilizar a criança e o adolescente para se darem conta de que as más ações têm consequências. É preciso despertar a capacidade de colocar-se no lugar do outro e sentir pesar pelo seu sofrimento originado pelo mal que lhe fez”. Por isso, está convencido de que algumas sanções – aos comportamentos antissociais agressivos – podem parcialmente cumprir esta finalidade. “É importante orientar a criança, com firmeza, para que peça perdão e repare o mal causado aos outros. Quando o percurso educativo mostra os seus frutos num amadurecimento da liberdade pessoal, a dado momento o próprio filho começará a reconhecer, com gratidão, que foi bom para ele crescer numa família e também suportar as exigências impostas por todo o processo formativo”.

Francisco, ao fazer a apologia da correção, esclarece que ela é “um estímulo quando, ao mesmo tempo, se apreciam e reconhecem os esforços e quando o filho descobre que os seus pais conservam viva uma paciente confiança. Uma criança corrigida com amor sente-se tida em consideração, percebe que é alguém, dá-se conta de que seus pais reconhecem as suas potencialidades. Isto não exige que os pais sejam irrepreensíveis, mas que saibam reconhecer, com humildade, os seus limites e mostrem o seu esforço pessoal por ser melhores” (AL, 269).

 

Não se deixar levar pela ira

Alguns pais sabem que corrigir os filhos é um dever; e que desabafar a raiva sobre eles é erro maior do que o deles. O Papa Francisco reforça essa convicção: “Um testemunho de que os filhos precisam da parte dos pais, é que estes não se deixem levar pela ira. O filho, que comete uma má ação, deve ser corrigido, mas nunca como um inimigo ou como alguém sobre quem se descarrega a própria agressividade” (AL, 269).

Igualmente oportuna é sua advertência a seguir: “Além disso, um adulto deve reconhecer que algumas más ações têm a ver com as fragilidades e os limites próprios da idade. Por isso, seria nociva uma atitude constantemente punitiva, porque não ajudaria a notar a diferente gravidade das ações e provocaria desânimo e exasperação: “Vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos” (Ef 6, 4; cf. Col 3, 21). (Idem)

“Condição fundamental – esclarece o Papa – é que a disciplina não se transforme numa mutilação do desejo, mas se torne um estímulo para ir sempre mais além” (AL, 270).

 

Conjugar disciplina com incentivos

O Papa relembra os desafios postos diante dos pais e educadores; acompanhemo-lo: “Como integrar disciplina e dinamismo interior? Como fazer para que a disciplina seja limite construtivo do caminho que uma criança deve empreender e não um muro que a aniquile ou uma dimensão da educação que a iniba?” (Idem).

O que fazer diante desses desafios? Francisco orienta: “É preciso saber encontrar um equilíbrio entre dois extremos igualmente nocivos: um seria pretender construir um mundo à medida dos desejos do filho, que cresceria sentindo-se sujeito de direitos, mas não de responsabilidades; o outro extremo seria levá-lo a viver sem consciência da sua dignidade, da sua identidade singular e dos seus direitos, torturado pelos deveres e submetido à realização dos desejos alheios” (Ibidem).

“A educação moral implica pedir a uma criança ou a um jovem apenas aquelas coisas que não representem, para eles, um sacrifício desproporcionado, exigir-lhes apenas aquela dose de esforço que não provoque ressentimento ou ações puramente forçadas” (AL, 271).

Concluímos com a recomendação do Papa Francisco: “Quando se propõem os valores, é preciso fazê-lo pouco a pouco, avançar de maneira diferente segundo a idade e as possibilidades concretas das pessoas, sem pretender aplicar metodologias rígidas e imutáveis. A psicologia e as ciências da educação, com suas valiosas contribuições, mostram que é necessário um processo gradual para se conseguir mudanças de comportamento e também que a liberdade precisa de ser orientada e estimulada…” (AL, 273).

 

* Pároco de São Sebastião – Espera Feliz, MG

F/Facebook Edward

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