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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Dai-lhes vós mesmos de comer!

“Dai-lhes vós mesmos de comer!”

Denilson Mariano

 

“A família vive a sua espiritualidade própria, sendo ao mesmo tempo uma Igreja doméstica e uma célula viva para transformar o mundo.” (AL, 324.)

 

Podemos dizer que esta frase do Papa, na sua última Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” (AL) bem resume o esforço e a dinâmica de vida perseguida pelos integrantes do Encontro Matrimonial Mundial – EMM, que celebra seus 40 anos de presença evangelizadora no Brasil.

O clima era de fraternidade, alegria, emoção e esperança, um verdadeiro ato de fé e de amor à família. Foi assim que aconteceu, nos dias 21 a 23 de abril, em Fortaleza, CE, a VI Convenção Nacional do EMM, comemorando os seus 40 de Brasil. Eram mais de 700 participantes, em sua maioria casais sacramentados e com presença significativa de muitos presbíteros, também de alguns religiosos, religiosas e jovens filhos dos casais encontristas. Uma Convenção que veio animar e fortalecer ainda mais o sacramento do matrimônio, da ordem e a consagração religiosa.

Sob o lema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16), a convenção enfatizou a missão que cada participante do EMM tem em relação aos demais casais e membros do clero ou institutos religiosos. São muitos os famintos e necessitados e o Senhor confia a nós a missão de saciar a fome deste povo. Esta a missão do EMM é ajudar os casais, sacerdotes e religiosas a viver plenamente um relacionamento responsável e íntimo, oferecendo-lhes um estilo de vida, uma experiência católica e uma comunidade de apoio permanente, para a renovação dentro da Igreja e a transformação do mundo através do Amor.

 

Desenvolver a capacidade de sonhar

Já são 40 anos de Brasil e mais de 80 mil pessoas atingidas diretamente pelas atividades e encontros do EMM. Cada participante é também um instrumento para dar de comer a quem tem fome de pão, de palavra e de oração. É o exemplo de Jesus no Evangelho (cf. Mt 14,16) que nos faz perseverar na luta e na busca de transformar o mundo por amor. Pepe e Carmen, casal representantes do EMM em nível latino-americano, enfatizaram que “somos discípulos quando estamos com o Senhor nos FDS (Fins de Semana), quando nos encontramos em nossos sacramentos, mas somos também missionários quando levamos a Boa Nova aos matrimônios e sacerdotes famintos de serem escutados, acolhidos e ajudados. […] Nosso desafio é um só: convidar, convidar, convidar”. Despertar sempre a capacidade de sonhar.

Na sequência, ainda lembraram os ensinamentos do Papa Francisco por ocasião do Ano da Misericórdia e pela recente publicação da Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” – A alegria do Amor. E destacaram que o EMM só pode ser luz para os demais trabalhando suas próprias relações, colocando como prioridade a oração, o diálogo, a relação íntima e responsável, o viver com alegria em comunidade. Salientou-se também que o fator econômico não pode ser dificuldade para o FDS: “No Brasil há milhões de famílias aguardando o presente do FDS, aguardando a oportunidade de um milagre da partilha e multiplicação. Que compromissos vamos assumir para que esse milagre alcance mais dioceses, até que venha a 7ª Convenção?”

Depois, voltando-se mais para os casais e sacerdotes promotores dos encontros de FDS, destacaram a importância da prática do diálogo diário entre os casais, do sacerdote com sua Igreja, e da vivência dos valores ensinados: “Como Igreja, precisamos ser conhecidos não como promotores de FDS, mas como aqueles que melhor vivem o seus sacramentos”.

Neste mesmo sentido, acresceu Pe. Serginho: “Crescer nos regionais é nossa meta, mas crescer na vivência do sacramento, este é nosso verdadeiro ideal”. A multiplicação que acontece nos FDS é um verdadeiro milagre em nossas vidas, que nos alimenta e sobra para todos. O Senhor nos ama como somos, sem impor condições. Citando a última Exortação Apostólica, lembrou que ela trabalha a espiritualidade matrimonial e familiar, que trata da presença de Deus dentro de nós, em nossa vida. Daí a nossa missão de, na alegria e responsabilidade, anunciar a Deus colocando em prática nossos sacramentos. Somos sacramentos a serviço da missão. Somos chamados a evangelizar de maneira sensível a quem nos rodeia”.

 

Alguns destaques

Pe. Jacob – Quando perguntado sobre a importância da VI Convenção Nacional do EMM, ele destacou que há um crescimento em todos os sentidos: excelente organização, um encontro leve, não cansativo, fruto da vivência da intersacramentalidade, que quebra certas resistências despertando maior motivação geral nos participantes. A presença da equipe latino-americana (Pepe e Carmencita) reforça o sentido de unidade do EMM. Ainda frisou a importância da presença dos jovens, que agora fazem também seu encontro intitulado “Encontrito”, e do aumento do número de sacerdotes presentes na Convenção.

 

Pe. Nonato e o casal João e Maria – Em uma das oficinas realizadas na manhã do sábado, destacaram que as famílias são as células centrais da sociedade e que a convenção é também um espaço de recordar, de trazer de novo ao coração aqueles acontecimentos que, quais sementes na parábola do semeador, encontram terra fértil e produzem muitos frutos.

Retomaram as ferramentas que auxiliam o cultivo da vida do casal e afirmaram que amar é uma decisão. É preciso continuamente crescer na capacidade de escutar com o coração, ter coerência de vida e desenvolver uma convivência sempre mais amistosa. Isto se aplica tanto no relacionamento do esposo com a esposa, quanto no relacionamento do sacerdote, religioso ou religiosa com o povo com o qual desenvolve a sua missão eclesial. Por fim, disseram eles, “não é o EMM que precisa de nós, somos nós que precisamos dele. Somos chamados, amados, capacitados e enviados. Avante, missionários do amor!”

 

Pe. Serginho – Durante a celebração de encerramento da VI Convenção, ele destacou a necessidade de transformar o mundo a partir do amor. Para quem assume a decisão de amar, trata-se de um desafio a mais, um mandamento ainda maior, uma ordem que não se pode deixar de obedecer. A decisão de amar se torna a nossa razão de ser. Amar o seu cônjuge sendo o sinal do amor de Cristo. Quem participa do EMM tem todas as ferramentas em sua mão, mas é preciso estar sempre fazendo uma avaliação para corrigir os erros e fortalecer os pontos positivos, e sempre escutar o que Espírito Santo nos diz, a fim de seguirmos adiante: “avante, missionários do amor!”

Assim como os 40 anos de travessia do deserto ajudaram a criar uma nova consciência no povo de Deus, nossos 40 anos de EEM é ocasião de reforçar em nós esta nova mentalidade, deixando-nos guiar pela vontade de Deus, assim como o povo era guiado no deserto, disse ele. A exemplo de Josué, “eu e minha casa, serviremos ao Senhor”. (Js 24,15.) Esta promessa é pra valer. Transformar-me, ser o melhor sacramentado para transformar o mundo. Procurando ser melhor, não para mim mesmo, mas para os outros.

O desafio não é saber o que tem de ser feito, mas efetivamente viver, colocar em prática o nosso diálogo diário. Quanto ao nosso relacionamento, que eles nos apontem assim no futuro: “Vejam como eles se amam!” (At 2,42-46.) Vejam como eles sabem dialogar e como sabem se perdoar. Não só o casal, um com o outro, mas uma atitude para com toda a comunidade. Chega de ensinamentos e sermões, importa é viver. Se houver quedas, vamos corrigir, mas viver mentira, não. Não apenas encher casa de retiro e ter lista de espera, mas, sobretudo, primar pelo relacionamento.

 

Pontes de diálogo

Assim, num clima de muita acolhida e fraternidade, muita espiritualidade e comunhão, e também de muita seriedade e verdade, a VI Convenção do EMM celebrou os seus 40 anos de caminhada construindo pontes de diálogo, respeito e solidariedade entre casais, presbíteros e religiosos(as), contribuindo para a solidificação e fidelidade de ambos os sacramentos: matrimônio e ordem.

Cabe aqui recordar um pequeno trecho da Carta do Papa Francisco sobre a “Alegria do Amor” na família: “Há também um apoio pastoral que se verifica nos grupos de casais, sejam eles de serviço ou de missão, de oração, de formação ou de mútua ajuda. Estes grupos proporcionam a ocasião de dar, de viver a abertura da família aos outros, de partilhar a fé, mas ao mesmo tempo são um meio para fortalecer os cônjuges e fazê-los crescer”. (AL, 229.)

Que as equipes do EMM espalhadas por todo o Brasil, América Latina e também por outras partes do mundo, continuem sua nobre missão de promover, defender e reforçar sempre a comunhão entre os sacramentos do matrimônio e da ordem.

 

 

 

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