0800 940 2377 - (31) 3490 3100 - (31) 3439 8000 assinaturas@olutador.org.br
A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

Leia Mais

Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

Leia Mais

Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

Leia Mais

Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

Leia Mais

Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

Leia Mais
Revista Catolica O Lutador Lxxxvii Dezembro Conta Comigo Um Chamado A Vocacao

“Conta comigo”, um chamado à vocação

Assisto – com quase 30 anos de atraso! – ao filme “Conta Comigo” (Stand By Me, 1986), de Rob Reiner. A película é uma ode à amizade e aos bons anos da infância, despreocupada e inocente, que em alguma medida cada um de nós tem guardados na memória. Trata-se de um grande clássico do cinema que, justamente pelo seu caráter bucólico, simples e universal, é capaz de deixar marcas profundas em seus espectadores.
Quero pensá-lo numa perspectiva vocacional. Não posso deixar de perceber algumas cenas fortes para ajudar a pensar num discernimento, sobretudo em momentos cruciais para o desenvolvimento pessoal, como o são a adolescência e a juventude. Embora a história se passe no longínquo ano de 1959 (marcado ainda pelo final da Segunda Guerra mundial), alguns dramas dessa fase da vida continuam, grosso modo, os mesmos.
O enredo (muito bem preparado e inspirado num livro de Stephen King, o mestre do suspense) narra um acontecimento inesquecível da vida de quatro colegas, nas férias de verão dos seus 12 anos: Gordon Lachance (Will Wheaton), Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vernon Tessio (Jerry O’Connell). Os quatro vão em busca do corpo de um colega, morto num acidente de trem. Mas, nesta busca, acabam encontrando a si mesmos.

Os dramas
da vida e o medo do novo
Interessante notar os dramas pessoais de cada um dos garotos: Gordie era praticamente invisível em casa, após a morte do irmão que lhe servia de referência e proteção. Teddy vivia uma relação ambígua com o pai, que por um lado era seu herói (por sua atuação na invasão da Normandia no Dia D) e, por outro, era um perigo pelos seus constantes acessos de fúria. Vernon, o gordinho da história, torna-se a típica vítima de bullying. Por fim o líder do grupo, Chris, filho de uma família tida como criminosa e, portanto, herdando todo o preconceito gerado pelo comportamento de seu pai e seu irmão.
Como todos nós, cada um procura lidar da melhor forma com os dramas que carrega. Durante a caminhada pelos trilhos do trem, vão tomando nas mãos o caminho de suas próprias vidas. Para completar o panorama da história, estão vivendo um momento crucial em suas vidas: a passagem do primário para o ginásio, quando alguns sairão da pequena cidade em que moram para prosseguir os estudos, enquanto outros possivelmente ficarão presos naquele pequeno mundo. Isso causa medo e apreensão diante do novo e do desconhecido.
Quando estamos diante de uma decisão tão séria e profunda quanto a resposta à vocação, pode acontecer que surja o mesmo medo diante do novo, do inesperado. É mais fácil prender-se à zona de conforto à qual estamos acostumados do que enfrentar o que está por vir. A história narrada em Mc 10,17-22 aponta para esse fato: Jesus pede ao seu interlocutor que se desinstale: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas, como era possuidor de muitos bens, não conseguiu seguir o Mestre.

Coragem e renúncia
O próprio enredo apresenta uma exortação à coragem, saída da boca de Chris: “Deus deu talento para você… Ele disse: ‘Dei isso para você, não desperdice’”. Diante das surpresas da vida, é hora de usar aqueles dons confiados a nós pelo Senhor. Ele não nos deu para que fossem enterrados, mas para que fossem multiplicados em vista do bem comum. Quantos jovens recebem de Deus muitos dons (como aqueles adequados à vida religiosa ou presbiteral) mas, por medo de usá-los, acabam enterrando-os, sem fruto.
Nesse caminho vocacional, sonhar faz parte e é preciso. Entretanto, chega a hora de colocar o sonho em prática, selecionando aquele que de fato corresponde à vontade de Deus para a nossa vida. Emblemática é a cena em que Vern, andando sobre a ponte, perde seu pente, que acaba caindo no rio logo abaixo. É o símbolo do sonho da fama, da cobiça, do desejo de glória, que se vai. É preciso abrir mão de alguns desejos que podem atrapalhar a caminhada. É a renúncia aos bens de que fala o Evangelho, por exemplo. E você, leitor, de que desejos contrários ao projeto de Deus você ainda precisa abrir mão?
Algumas lutas ferozes precisam ser empreendidas se queremos prosseguir com firmeza no caminho sonhado por nós. Chris, na conversa noturna com Gordie, confessa que foi vítima da incoerência de sua professora que, ao invés de defendê-lo, acaba contribuindo para que fosse acusado pelo roubo do dinheiro da escola. Tudo bem alicerçado pelo preconceito já existente, que o segrega ainda mais. Gordie o faz perceber que é possível e necessário trabalhar para superar as falsas impressões. Também conosco acontece o mesmo: diante de nossas escolhas não faltarão pessoas que duvidem de nós ou nos achem incapazes da missão a nós confiada. Mas, confiando na graça de Deus que não nos há de faltar, seremos capazes de corresponder ao chamado do Mestre.

Juventude
e o chamado de Deus
Chama a atenção, ainda, o espírito de companheirismo que perpassa todo o filme. Mesmo que depois cada um deles vá tomar o seu caminho, durante sua aventura cada um sustentará o outro em seus momentos de fragilidade e insegurança. Para que os amigos não sofram, vale a pena o sacrifício. Sabemos que as pessoas não serão eternas em nossas vidas, mas isso não nos impede de confiar-nos a elas e de ajudá-las.
Por fim, retomo uma fala de Teddy Duchamp ao receber a advertência de que se comporte segundo sua idade: “Esta é a minha idade! Eu sou jovem, e só serei uma vez!” Pensando em nossa resposta ao projeto de Deus, vale a pergunta: como aproveitamos a nossa juventude? Procuramos gastar essa fase tão nobre da vida com algo que valha a pena, algo que mereça ser lembrado no futuro e que não nos deixe arrependidos?
Que o nosso caminho de resposta ao chamado de Deus seja sempre animado pelo amor primeiro, que nos leva ao serviço dos irmãos. Diante das necessidades da messe do Senhor, nossa resposta ao seu convite seja sempre: “Conta comigo!”]

*A partir das discussões do
Grupo Vocacional de Manhumirim, MG

Texto publicado na revista Católica O Lutador – Revista Impressa em Dezembro de 2015, Ano LXXXVII

Deixe uma resposta