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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica Olutador Junho 3889 F 1 P 18

Com Maria, Mãe de Jesus: para viver o Ano Mariano

Pe. Vinícius Augusto Teixeira, C.M.

Estamos no Ano Nacional Mariano, recordando agradecidos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba [1717]. Nesta pequenina imagem, “há algo de perene a aprender: Deus ofereceu ao Brasil sua própria mãe”. (Papa Francisco.) Lembramos ainda os 100 anos das aparições da Mãe de Jesus em Fátima [1917], dirigindo-se aos três pastorinhos. Tanto num quanto noutro acontecimento, reluz a ternura materna de Maria para conosco, especialmente para com os pequenos e pobres. Sua presença discreta revigora a fé, acalenta a esperança e encoraja o amor de seus filhos e filhas, estimulando-nos no seguimento de Jesus Cristo e na vivência dos valores do Evangelho.

A Sagrada Escritura fala muito pouco sobre Maria. Na verdade, o essencial para que possamos conhecer seu perfil humano, sua participação no projeto de Deus e sua relação com a comunidade cristã. O centro de toda revelação bíblica é Jesus Cristo. Tudo o mais a ele se refere, inclusive sua mãe. As alusões feitas a Maria no Novo Testamento sempre apontam para Cristo. O mais antigo registro menciona a mulher que gerou o Filho de Deus, enviado ao mundo para salvá-lo (cf. Gl 4,4). Muito sutilmente, o Evangelho de Marcos coloca Maria entre os parentes que se preocupavam em preservar a pessoa de Jesus (cf. Mc 3,20-21.31-35), desejosos de conhecer melhor aquele que era chamado por seus conterrâneos “o carpinteiro, filho de Maria” (Mc 6,3).

Com semelhante discrição, Mateus apresenta a esposa do justo José, fecundada pelo Espírito para ser a mãe virginal do Messias, íntegra em seu corpo e em seu coração, totalmente entregue à missão que lhe foi confiada, nas alegrias, surpresas e apuros do cotidiano (cf. Mt 1-2). Lucas é o que nos fornece informações mais abundantes e detalhadas sobre Maria. Em seu Evangelho, ela aparece como a humilde virgem de Nazaré, escolhida e preparada por Deus para gerar e educar o Salvador. À iniciativa do Alto, Maria corresponde com lucidez e liberdade, fazendo-se serva do Senhor, como ouvinte atenta da Palavra e fiel discípula de Jesus, sempre sintonizada com as esperanças de seu povo (cf. Lc 1-2). Sua presença solícita e orante acompanha também os primeiros passos da comunidade, inaugurando a missão da Igreja, sob a ação do Espírito Santo (cf. At 1,13).

Por fim, João nos oferece dois belíssimos retratos da mãe do Filho de Deus, diligentemente presente no começo e no ápice do caminho de amor e serviço percorrido por Jesus. O primeiro quadro é o das Bodas de Caná, no qual Maria refulge em toda sua riqueza humana e sensibilidade feminina, intuindo, intervindo e instruindo a fazer o que seu Filho disser (cf. Jo 2,1-13). Depois, a mãe aparece junto à cruz, dolorida e piedosa, mas de pé, aprendendo da fidelidade de Jesus e encorajando-o com a sua. Torna-se, então, o modelo e a inspiração da comunidade nascida do Espírito do Crucificado-Ressuscitado, à qual estende sua maternidade (cf. Jo 19,25-27). Outras referências bíblicas são aplicadas a Maria para evidenciar a singularidade de sua colaboração na história da salvação (cf. Ap 12,1-17), obra do amor de Deus que a escolheu, sustentou e plenificou.

Se escassas são as referências bíblicas a Maria, muito mais raras são as palavras saídas de seus lábios. São, na verdade, seis as ocasiões em que a mãe de Jesus se faz ouvir nos evangelhos. Assim como sua existência, seus afetos e pensamentos, também suas palavras estão todas orientadas para Deus e para seu Filho. Em tudo o que diz, Maria revela grande familiaridade com o mistério que a envolve. Suas palavras resumem e explicitam as atitudes que cadenciavam seus passos no seguimento de Cristo, ornando de beleza sua humanidade e manifestando a santidade de sua vida.

  1. “Como acontecerá isso, se não conheço homem algum?” (Lc 1,34.) É a primeira vez que a voz de Maria se faz ouvir na Bíblia. O contexto é o do anúncio da missão que o Senhor quis lhe confiar: dar à luz o Salvador, o Messias esperado pelo povo de Israel. Proposta inteiramente original, chamado surpreendente, convite respeitoso da liberdade humana e, ao mesmo tempo, altamente comprometedor.

Antes de pronunciar o sim de sua fé e de sua disponibilidade, Maria se põe a discernir, dialogando com o mensageiro, confrontando sua pequenez com as exigências da vocação recebida, esperando de Deus luz e força para entender e corresponder a seu apelo. Esta atitude de discernimento a acompanhará até o fim, levando-a a refletir em profundidade a respeito dos acontecimentos e de tudo o que via e ouvia da parte de seu Filho (cf. Lc 2,19.51).

  1. “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38.) Agraciada por Deus, Maria dá o consentimento de sua liberdade para que nela se realize a vontade de quem a escolheu. É a palavra da entrega, da doação total ao Senhor para cooperar em sua obra de amor e salvação, com todas as consequências e riscos que a missão apresenta. A jovem de Nazaré confia que o Espírito a tornará fecunda e que o Altíssimo a cobrirá com sua constante proteção.

Por sua familiaridade com a Palavra, acolhida em seu coração contemplativo e praticada em seu dia a dia, Maria se torna capaz de gerar a Palavra que se faz carne e vem habitar entre nós (cf. Lc 11,27-28; Jo 1,14). Entregar-se nas mãos do Senhor, peregrinando na fé, foi o segredo da vida da mãe de Jesus.

  1. “Minha alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador…” (Lc 1,46s.) Na visita de Maria a Isabel, expressão de sua prontidão para servir, Lucas põe nos lábios da mãe do Messias um belíssimo hino de louvor. Maria canta as maravilhas do amor do Senhor realizadas em sua humildade, na trajetória do povo de Israel e na história de toda a humanidade. Um hino tecido de muitos retalhos, que costura versículos do Antigo Testamento (cf. 1Sm 2,1-10; Dt 7,6; Sl 111,9; Is 29,19), com o intuito de proclamar a ação salvadora de Deus.

No fruto bendito do ventre de Maria, o Senhor cumpre suas promessas e restaura a aliança, estabelecendo a justiça, socorrendo os pobres e renovando a esperança de seu povo. No Magnificat, transparece a gratidão que transborda do coração de Maria e que a torna sempre mais receptiva à graça e generosa no servir (cf. Lc 1,56).

  1. “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos.” (Lc 2,48.) Aqui, fala o coração inquieto de uma mãe, ao dar-se conta de que seu filho adolescente não se achava na caravana dos parentes e conhecidos que voltavam de Jerusalém para Nazaré, depois da festa da Páscoa. Voltando para procurar Jesus, eis que Maria e José o encontram no Templo, dialogando com os doutores, impressionando a todos por sua inteligência. Surpresos e aliviados, interpelam o menino e ouvem a primeira manifestação de sua consciência de Filho de Deus, diante da qual as relações familiares se tornam relativas: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49.)

Naquele momento, Maria ainda não podia compreender o que depois se tornará claro também para ela: a identidade mais profunda do Filho que gerou. A travessia da fé precisava continuar. A atitude que está por trás dessas palavras da mãe de Jesus é a busca constante de quem deseja crescer a cada dia na convicção de sua vocação e no cumprimento da missão que tem a desempenhar.

  1. “Eles não têm mais vinho.” (Jo 2,3.) O cenário é bem familiar. Uma festa de casamento. Evocação da aliança de amor e fidelidade selada por Deus com seu povo (cf. Os 2,21-22; Is 54,4-8) e levada à plenitude no envio de seu Filho para cumular a humanidade com o júbilo da salvação. Jesus e sua mãe tinham sido convidados, bem como seus discípulos. O vinho veio a faltar. Por sua força simbólica, imagem da alegria indispensável à vida, o vinho tinha papel importante em uma festa nupcial.

Com sua sensibilidade feminina, a mãe intui o constrangimento pelo qual passariam os noivos e intervém sem demora junto a seu Filho. Não apenas constata o problema, como também toma iniciativa. Pura solicitude materna, que se estenderá ao grupo dos discípulos e amigos de Jesus (cf. Jo 15,15), comunidade da eterna aliança, fundada no amor e caracterizada por uma nova maneira de se relacionar com Deus e com os irmãos.

  1. “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5.) Ali em Caná, Jesus pede à mãe aguardar a chegada de sua hora, hora apenas sinalizada pela água convertida no vinho melhor, hora de sua glorificação, hora da cruz, que reúne em si morte e ressurreição, prova maior de amor, plena revelação do Filho de Deus como salvador da humanidade. O bom conselho da mãe não poderia ser outro: fazer sempre o que Cristo disser, permanecer nele para frutificar, amando-nos mutuamente como ele nos amou (cf. Jo 15,1-17).

No Evangelho de João, a mãe só aparecerá novamente perto da cruz de Jesus (cf. Jo 19,25-27), serena, compassiva e solidária, perseverante até o fim. Presença que conforta o Filho e revigora sua fidelidade. Confiada ao discípulo amado, Maria refulge como modelo da comunidade, povo da nova aliança, chamado a firmar-se na decisão de fazer o que Cristo disser. E ninguém melhor do que a mãe para mostrar como se concretiza esse projeto de vida, ensinando-nos a dinâmica do seguimento de Jesus. Aí está o núcleo da maternidade espiritual de Maria: remeter-nos sem cessar a seu Filho, aquele que nos oferece o vinho novo da vida plenamente realizada (cf. Jo 10,10), porque encharcada do amor recebido do Pai.

Por tudo o que viveu e também pelo que disse, a mãe de Jesus nos inspira com seu exemplo de discernimento, entrega, busca, gratidão, solicitude e seguimento. Mais recorrente e eloquente do que as palavras de Maria, só mesmo seu silêncio. Silêncio de quem contempla, escuta e acolhe. Silêncio de quem reflete, pondera, decanta e amadurece. Silêncio no qual ecoa a Palavra, acolhida em um coração sincero, praticada com perseverança. Silêncio de quem procura discernir a vontade do Senhor. Silêncio de quem se põe a servir com prontidão. Silêncio na laboriosa rotina de Nazaré. Silêncio na paciente espera em Caná. Silêncio na dor lancinante do Calvário. Silêncio na jubilosa manhã da ressurreição. As palavras e as atitudes de Maria de Nazaré nascem da fecundidade desse silêncio.

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