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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista O Lutador 3864 Carta De Voo

Carta de voo

O recente episódio com o Airbus A 320 da Germanwings, na região dos Alpes, matando (sejamos precisos nos termos, pois “vitimando” não implica necessariamente algo fatal) 150 pessoas, tem merecido a atenção da mídia, na sucessão de eventos que lhe é peculiar: eleições, Estado Islâmico, cartunistas do Charlie Hebdo, tiros no museu, Valesca Popozuda, entre outras coisas espantosas.

Em tempos de se “informar” mais do que noticiar (se alguém me diz as horas, ou o Santini me pede um texto de duas laudas, ele me informa, porém não creio ser notícia das mais interessantes), acumulam-se dados estatísticos, respostas e explicações (todos, hoje, são um pouco Freud), descobertas sobre a crônica das mortes anunciadas, mas não evitadas, e temos literalmente “mais do mesmo”.
Mais do mesmo porque a história é antiga, variando o contexto e o cenário. Se um copiloto derruba uma aeronave, um homem-bomba leva com ele outras pessoas, que apenas tomavam um cafezinho num restaurante, se Nero botou fogo em Roma ou se alguém comete um crime passional, no cerne de tudo está o homem e sua baixa resistência a frustrações e a lidar com o real.
– O homem? – perguntarão alguns. Pergunta muito sensata, levando-se em conta ser o céu o cenário.
Quem curte cinema – e já tem alguns fotogramas por segundo, de estrada – certamente lembra-se de “2001 – Uma Odisseia No Espaço”, filme antológico do diretor Stanley Kubrick, lançado em 1968, ano que dizem não ter terminado. (Em certos casos, parece realmente que não.)
No filme, duas cenas são mais marcantes: os macacos descobrindo-se “poderosos”; ou seja: “humanizando-se”, e a paixão de um computador por um astronauta, quase colocando toda a missão espacial a perder, por conta de não “ser correspondido” em sua paixão. O computador em questão atendia pelo nome de HAL 9000, cujas iniciais, embora o diretor negasse de pés juntos, são as letras imediatamente anteriores a IBM, o que seria uma crítica a caminharmos para ficar nas mãos das máquinas, que, um dia, poderiam ter emoções e caprichos.
Pois bem; quando pensamos acontecer também o inverso (tornarmo-nos “máquinas”), um rapaz de 27 anos mostra o quão frágil ainda continuamos a ser. Sujeitos a caprichos, incertezas, negações da realidade, desejos megalômanos, fragilidades emocionais e psicológicas, ocultas por fotos de um jovem praticando esporte e em contato com a natureza.
Somos seres bio-psico-emocionais-sociais-culturais-espirituais.
Onde o bicho pega? No psicológico e no emocional, ouso dizer. Não adianta culpar máquinas (entre as quais a dita “de fazer doido”: a TV), nem nada. A caixa preta da nossa mente tem registros inacreditáveis. Que, com jeitinho, alguns acham-se espertíssimos em driblar, ou mascarar. Ou em achar explicações místicas para fatos que, numa poltrona (esqueçam o divã; ele não é obrigatório) de consultório de Psicologia, ajuda-se a esclarecer.
Mais fácil é dizer que todas as 150 pessoas estavam misticamente condenadas (seria a vida uma condenação?) a morrer naquele dia, daquela forma. Tolice. Tolice tão grande quanto, quando jornalista, ter-me sido dito que a tragédia da Vila Barraginha (quem não se lembra, o Google ajuda), em Contagem, MG, aconteceu porque Deus puniu o povo que elegeu certo prefeito. Contagem entrou para o seleto rol que inclui Sodoma, Gomorra e Babilônia. Mas: e Paris, Londres, Berlim, durante a II Guerra Mundial?
A tragédia da Vila Barraginha aconteceu porque alguns cuidados não mereceram a devida atenção. Assim como em Fukushima, no Bateau Mouche, em qualquer estrada, em qualquer lugar onde o humano se considere divino não como imagem e semelhança, mas com a frágil (ou inexistente) consciência dos campos do Real, Imaginário (onde se dá margem à violência) e o Simbólico. (Isso é Psicanálise, moçada!)
No Imaginário, há o outro (com “o” minúsculo; ou seja: eu sou igual a qualquer outro; portanto, faço o que quero; mas “somos todos iguais” não é bem isso, não!). No Simbólico, há o Outro (com “O” maiúsculo, chamado Grande Outro, e que diz respeito ao lugar que pessoa ocupa). Quando se trabalha bem o Simbólico em relação ao Real, os lugares de psiquiatra (que deu laudos escondidos pelo jovem copiloto) ou de piloto (hierarquicamente superior ao copiloto) são respeitados. Não se imagina ser uma espécie de Deus, a ser conhecido por toda a Humanidade (o copiloto teria dito que todos saberiam o nome dele, no futuro), por ter poder sobre a vida e a morte das pessoas.
Lê-se muito “O Pequeno Príncipe”, mas descuida-se de “Cidadela” e “Terra dos Homens”, do mesmo Saint-Exupéry, que também foi piloto e desapareceu num acidente aéreo.
Talvez devamos voltar nossos olhos às cidadelas e à terra dos homens. Vivemos ilhados por algumas e vamos acabar sob a segunda. Enquanto isso, uma terapiazinha vai bem e não brincar com depressões, angústias, ansiedades, tendências suicidas (não vale para isso o “cão que ladra não morde”; alertou? Cuidou!).
– “Nossa, mas um rapaz tão novo e tão bonito!”
É, a vida é ilógica. Como disse o poeta: “Navegar (o que inclui navegação aérea) é preciso (conta-se com equipamentos); viver, não é preciso”. Somos seres imprecisos e precisamos nos conscientizar disso. Talvez doa um pouquinho, mas a preocupação primeira, antes do mundo todo nos conhecer, é nos conhecermos. Talvez assim o mundo nos conheça por outras razões.
Temos equipamentos cada vez mais sofisticados ao nosso dispor. Mas nós nos temos “sofisticado”, apriorado, como pessoas? “Ser ou não ser”, eis a questão.]

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