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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Leafandwaterdrop

Água: patrimônio do planeta, responsabilidade de todos

PADRE MÁRCIO

Revista O Lutador [ O baixo nível dos reservatórios de água e o consequente racionamento, sobretudo na Região Sudeste, têm alarmado muitos Estados e até o país inteiro. O que dizer desta situação da água em nosso país?
Pe. Márcio Pacheco [ Quando falamos de baixo nível dos reservatórios, estamos entendendo que estes são para geração de energia e para abastecimento das grandes cidades. Hoje, cerca de 70% da energia elétrica provém de usinas hidroelétricas para abastecimento das moradias, hospitais, indústrias etc. A diminuição dos níveis dos reservatórios se dá principalmente em virtude do alto consumo, quando os períodos de estiagem são cada vez mais frequentes e longos. Temos, sim, um problema de planejamento onde se verifica falta de investimento das empresas concessionárias e dos órgãos governamentais, que não cuidaram adequadamente de expandir os reservatórios e de construir interligações entre os mesmos.

Pe. Márcio Antônio Pacheco, SDN

Na verdade, o baixo nível é reflexo de uma série de situações: desmatamento acelerado, inclusive das matas ciliares, que evitam o assoreamento dos leitos dos rios e córregos e lagos; o desmatamento de extensas regiões para a agricultura em grande escala, como de soja e outras culturas, e também para fins imobiliários, não poupando nem mesmo as nascentes. Some-se a isto o lançamento do esgoto sem tratamento no leito dos rios e córregos de todo o país, poluindo a água e tornando-a imprópria para o consumo.

As estiagens prolongadas são também um reflexo das mudanças climáticas. É uma situação que inspira cuidado e requer ações conjuntas que envolvam todas as esferas sociais.
As empresas e os órgãos governamentais têm aqui importante papel. Temos de adotar medidas emergenciais de contenção de gastos da água e da energia, mas estas não bastam. É preciso mudar a condução das políticas de desenvolvimento, que privilegiaram até o presente momento uma região do país, onde ocorre a exaustão dos recursos naturais existentes. Medidas mais profundas terão de ser adotadas para garantir e assegurar o uso e benefício da água no futuro.

Revista O Lutador [ Na Rio 92, a ONU – Organização das Nações Unidas já alertava que a água é um “patrimônio do planeta”, responsabilidade de “cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade e cada cidadão”. Além disso, prevê um possível colapso para 2050 devido a problemas ambientais. O que dizer de tudo isso?
Pe. Márcio Pacheco [ Lembro-me de que, já nesta época, fazia-se a previsão de uma crise hídrica sem precedentes. Analisando dados pesquisados, os cientistas previam, por exemplo, que o Rio São Francisco, símbolo da integração nacional, estaria em grave situação em 2025, caso não houvesse intervenções bem profundas na política de preservação do meio ambiente. Estamos ainda a uma década desta previsão e o Velho Chico já dá sinais de agonia. Sua principal nascente na Serra da Canastra secou por um tempo este ano. As constantes queimadas na região, associadas à retirada indiscriminada de água do seu leito para fins industriais e para a agricultura, têm colocado em risco o futuro deste rio, que é um símbolo nacional. Além disso, o São Francisco é responsável pela garantia de vida de milhares de pessoas que vivem às suas margens e dele retiram seu sustento.

Devemos começar a fazer o dever de casa imediatamente para que em 2025 tenhamos uma situação mais favorável. Podemos até viver sem petróleo e sem dinheiro, mas sem água é impossível.

É um bem de valor inestimável, que deve estar disponível para todos e constitui, por isso, algo a ser preservado por todos. É preciso celebrar um pacto para corrigirmos os rumos tortos trilhados até aqui. Infelizmente, temos muita publicidade, mas na prática muito pouco se fez para preservação e recuperação das bacias hidrográficas brasileiras, até mesmo as do Sudeste, região mais desenvolvida e abundante em recursos econômicos e financeiros. O que não dizer das regiões mais carentes de nosso país?

Revista O Lutador [ Apesar de a Declaração Universal da Água garantir o direito à água, há quem defenda a privatização da água como medida para diminuir o consumo. Como nos posicionar diante disso?
Pe. Márcio Pacheco [ Infelizmente, mesmo sabendo que a água é um bem indispensável a todo e qualquer ser humano, e um recurso estratégico, os governos não criaram uma legislação que pudesse garantir a todos o acesso a este bem essencial. Quase em sua totalidade, eles vêm permitindo que multinacionais ou até empresas nacionais tenham a posse da água em nosso país. A Nestlé, a Coca Cola e muitas outras dominam hoje o mercado de água engarrafada.
Não sou contra esta exploração, até porque os governos não se têm mostrado eficientes na gestão destes recursos. Precisamos de regulamentação e de que as autoridades façam valer o que foi estabelecido nos contratos de concessão de exploração. Precisam garantir preços acessíveis e a disponibilização para as populações com menores recursos econômicos. Existe um velho ditado: aquilo que não custa, não é valorizado. Portanto, temos, sim, de instalar os hidrômetros para nos educarmos no consumo e pagar de forma justa pelo uso. Mas os recursos obtidos precisam ser revertidos na ampliação dos sistemas de captação e tratamento do esgoto. Esta é ainda uma chaga incurada de nosso país. Nossos rios, córregos e lagos são ainda depósito de esgoto e lixo de toda espécie. Quando teremos governos sérios que encarem de frente este problema?

Revista O Lutador [ Sua tese de mestrado versa sobre a questão da água. Em que aspectos seus estudos iluminam e oferecem alternativas a essa realidade da água no momento atual?
Pe. Márcio Pacheco [ Escolhi o tema da escassez de água no mundo para conclusão do meu curso por entender que este tema, já em 2004, figurava como ponto de pauta nas Conferências Mundiais do Meio Ambiente promovidas pela ONU. É um tema transversal que está muito ligado à questão moral. Tomando como base o Ensino Social da Igreja, nos seus diversos documentos, temos de afirmar que a água é um bem comum, ou seja, de todos, e essencial à vida humana. Portanto, deve ser garantida a todo e qualquer ser humano que dela necessite. Não somente aos que podem pagar por ela, mas a todos. Fazendo este estudo, aprendi a grande necessidade de construir uma nova mentalidade e uma nova cultura.

A relação do ser humano com a natureza deve ser pautada pelo cuidado. Não pode mais ser predatória como o foi no passado e ainda o é no presente.
Revista O Lutador [ Quais iniciativas devem ser tomadas no nosso dia a dia para minimizar a falta d’água?
Pe. Márcio Pacheco [ Pequenas ações já ajudaram significativamente: institutuir o costume de banhos mais rápidos com desligamento do chuveiro enquanto se ensaboa o corpo. Reuso da água para lavar piso e descarga dos sanitários. Correção imediata de vazamentos nas redes e torneiras. Criação de uma nova concepções arquitetônicas e de engenharia que otimizem este recurso, que favoreçam o reuso para indústria e uso doméstico. Novo modelo de desenvolvimento sustentável que permita, com maior harmonia, o crescimento econômico sem comprometer os recursos naturais, entre eles a água. As escolas e os meios de comunicação podem ser veículos de fomento desta nova cultura.
Fomos mal acostumados ao desperdício, num país de abundância, onde nunca imaginávamos que faltaria água. Esta mentalidade precisa ser mudada. No nosso dia a dia não há mais espaço para o desperdício. Acredito que as novas tecnologias podem ser uma boa aliada para a implantação deste novo modo de lidar com a água e com a energia. Aplicativos podem ser criados. Pequenos vídeos podem ser difundidos pelas redes sociais. Assim, com uma nova consciência, um novo cidadão, um novo modo de agir, em pouco tempo, as coisas mudarão para melhor.]

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