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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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A nova onda de automação e suas consequências

Como as máquinas poderão substituir seres humanos também no setor de serviços. Os enormes riscos de desigualdade e desumanização.

Martin Khor

 

No ano passado, a Uber começou a testar carros sem motorista, com seres humanos no interior para fazer correções no caso de alguma coisa dar errado. Se os testes forem bem, a Uber irá, ao que tudo indica, substituir seu exército atual de motoristas por uma frota dos novos carros.

Alguns carros já podem estacionar automaticamente. Será uma questão de tempo até que a Uber, táxis e veículos individuais sejam suficientemente inteligentes para nos levar de A a B sem que tenhamos de fazer nada? E o que acontecerá aos empregos com essa aplicação da “inteligência artificial”, em que máquinas têm funções cognitivas humanas construídas em seu interior? Estima-se que, somente nos EUA, 4 a 5 milhões motoristas de caminhões e táxis poderiam ficar desempregados.

O veículo sem motorista é apenas um exemplo da revolução tecnológica que deverá transformar drasticamente o mundo do trabalho e o modo de vida das populações. É preocupante que a marcha da automação, ligada à tecnologia digital, venha a causar o deslocamento de muitas fábricas e escritórios e provocar desemprego em massa.

Também manifestando preocupação sobre o impacto social da automação, o fundador da Microsoft, Bill Gates, propôs recentemente que os governos imponham um tributo sobre os robôs. Empresas que usassem robôs teriam de pagar taxas sobre as rendas atribuídas ao uso da robótica. Essa proposta causou comoção. Economistas do mainstream como Lawrence Summers, ex-secretário do tesouro dos EUA, acusaram-na de frear o avanço tecnológico. Um crítico sugeriu que a primeira corporação a ser tributada por produzir automação deveria ser a Microsoft.

Contudo, a ideia de tributar robôs é uma resposta aos temores de que a revolução da automação venha a aumentar a desigualdade, já que muitos perdem seus empregos, enquanto poucos colhem os benefícios do aumento da produtividade e da lucratividade. […]

À luz desses desenvolvimentos tecnológicos, é provável que a industrialização produza bem menos empregos na próxima geração das economias emergentes do que nos países que os precederam. Será, portanto, cada vez mais difícil para empresas fabris da África e da América do Sul criar os mesmos volumes de empregos criados pelos países asiáticos. Em outras palavras, hoje os países de baixa renda não terão a mesma possibilidade de alcançar crescimento rápido, transferindo trabalhadores do campo para empregos melhor remunerados nas fábricas.

Ao invés de crescimento industrial voltado às exportações, os países em desenvolvimento terão de buscar novos modelos de crescimento, afirma o relatório. “Crescimento liderado por serviços é uma opção, mas muitos serviços de baixa qualificação estão se tornando igualmente automatizáveis.” […]

Que empregos são mais suscetíveis à automação? Embora a maioria das pessoas pense que são os da indústria, o fato é que muitos empregos no setor de serviços também serão afetados. Estudo da McKinsey considera o setor de hospedagem e alimentação como o mais vulnerável nos EUA, seguido pelo de manufatura e varejo.

No setor de hospedagem e alimentação, podem ser automatizadas 73% das atividades desempenhadas por trabalhadores, inclusive preparar, cozinhar e servir comida; limpar as áreas de preparação da comida, preparar bebidas e recolher pratos sujos.

No ramo de manufatura, 59% das atividades podem ser automatizadas, especialmente atividades físicas ou maquinário de operação em ambiente previsível. As atividades vão desde o empacotamento de produtos até o carregamento de materiais em equipamento de produção e à solda na manutenção de equipamentos.

No varejo, 53% das atividades são automatizáveis. Elas incluem gerenciamento de estoques, embalagem de objetos, manutenção do registro de vendas, contabilidade e coleta de informações de clientes e produtos.

Alguns analistas entusiasmam-se com os efeitos positivos da revolução da automação; outros estão alarmados com suas consequências adversas. Essa tendência tecnológica certamente irá aumentar a produtividade por trabalhador que mantiver o emprego, e aumentará a lucratividade das empresas que sobreviverem. Embora no nível micro haja benefícios para as corporações e indivíduos que estão prosperando no novo ambiente, no nível macro há efeitos dramáticos — especialmente corte dos empregos que não serão mais necessários.

O que pode ser feito para retardar a automação, ou ao enfrentar seus efeitos adversos?

A proposta de Bill Gates de tributar robôs é uma das mais radicais. O imposto poderia retardar as mudanças tecnológicas e os fundos gerados por ele poderiam ser usados para mitigar os efeitos sociais.

Outra ideia radical que está gerando muito debate é assegurar uma “renda básica” para todos os seres humanos, independentemente de estarem ou não trabalhando. A alta produtividade irá permitir a todos receber uma renda confortável; portanto, não haveria razão para preocupar-se com o fato da automação acabar com empregos. Os governos também podem assumir a atitude “se não pode derrotá-los, junte-se a eles”. A China, por exemplo, está enxergando grandes oportunidades na adesão à revolução tecnológica e planeja investir em robótica e inteligência artificial.

Objetivos mais convencionais incluem promover a educação de estudantes e trabalhadores para assumir os novos postos de trabalho necessários na administração, ou para trabalhar com o processo automatizado de produção e treinar, com as competências exigidas pelo novo ambiente, trabalhadores que se tornarão desnecessários.

Contudo, é provável que em geral haja uma perda líquida de emprego, ao menos no curto prazo, e portanto, um provável descontentamento social.

Quanto aos países em desenvolvimento, será necessária muita reflexão sobre as implicações das novas tecnologias para as perspectivas econômicas imediatas e de longo termo, assim como repensar a economia e as estratégias de desenvolvimento. (Tradução: Inês Castilho)

Fonte: Outros Quinhentos

 

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