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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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A Igreja pacificadora

Muitas vezes acusada de estimular conflitos e dividir culturas, a Igreja atravessou os séculos trabalhando pela paz, arbitrando conflitos e formando para a humanidade admiráveis construtores da Paz.

 

Em 1978, Argentina e Chile estiveram muito próximos de um conflito armado, motivado pela discussão em torno da soberania do Estreito de Beagle, na Terra do Fogo, área de importância estratégica para a navegação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A tensão chegou a um ponto crítico na noite de 21 de dezembro, quando o exército argentino se preparava para ocupar as ilhas do estreito.

Poucas horas antes da invasão, a Junta Militar argentina aceitou a mediação pessoal do Papa João Paulo II, que subira à cátedra de Pedro apenas dois meses antes, e a ação foi suspensa. As divergências seriam logo superadas, ficando o Chile com as ilhas Nueva, Picton e Lennox, além de controlar o Canal de Drake, cabendo à Argentina o controle do mar territorial Atlântico e seus recursos de pesca e petróleo.

João Paulo II conduziu os dois lados ao diálogo, exortando-os as duas nações católicas ao entendimento e afirmando: “O diálogo não prejudica os direitos e amplia o campo das possibilidades razoáveis, para honra de todos quantos têm a força e o bom senso de o continuar incansavelmente contra todos os obstáculos”.

 

Santos que constroem pontes

Em 1º de outubro de 1999, atendendo ao pedido conjunto da Igreja Luterana e dos bispos católicos da Escandinávia, João Paulo II proclamava Santa Brígida da Suécia [1302-1373)] como patrona da Europa. Exemplo de ação pela unidade dos cristãos, Santa Brígida é também conhecida por seu papel como pacificadora de conflitos entre os governantes de um medievo sangrento e cheio de intrigas palacianas.

Em 27 de outubro de 2010, o Papa Bento XVI dizia, em uma catequese sobre a mesma santa: “Brígida sabia bem que cada carisma é destinado a edificar a Igreja. Por isso mesmo, grande número de suas revelações era dirigido, sob a forma de advertências às vezes severas, aos crentes de seu tempo, incluídas as autoridades políticas e religiosas, para que elas vivessem de modo coerente a sua vida cristã”.

Na mesma época, Santa Catarina de Sena [1347-1380] trabalhou incansavelmente para trazer de volta a Roma o Papa Gregório XI, quando o papado estava sediado em Avinhão, França, e sofria forte influência política do Reino da França. Catarina também agiu de maneira fundamental para a restauração da paz nos violentos conflitos entre as cidades-estado da Itália.

Assim como ocorreu com Santa Brígida, as revelações místicas de Catarina, longe de elevá-la às nuvens angélicas, impeliram-na a agir concretamente no campo social e político. Além de intervir pessoalmente para evitar uma conflagração militar em Pisa, em 1375, ela viu-se impelida a escrever cartas para pessoas influentes, estimulando o diálogo e a compreensão mútua. Em volumosa correspondência com o Papa Gregório XI, Catarina cobrava a reforma do clero e da administração dos Estados Papais da época.

 

Dom Bosco mediador

Não se limita à Idade Média a presença de mulheres e homens da Igreja no campo da diplomacia. Mais recentemente, a extensa biografia de São João Bosco [1815-188], escrita por um de seus primeiros colaboradores, o sacerdote Giovanni B. Lemoyne, mostra o importante papel do fundador dos Salesianos na pacificação dos conflitos entre a Santa Sé, cujas terras haviam sido desapropriadas, e o governo da Itália.

Em 1871, mais de 60 dioceses da Itália estavam vacantes, com 45 de seus bispos exilados pelo governo anticlerical e vários outros falecidos em idade avançada. Dezessete novos bispos indicados pela Santa Sé tiveram a entrada em suas dioceses proibida pelo Governo.

Após uma troca de cartas com o Papa Pio IX, Dom Bosco foi apresentado ao Governo como interlocutor papal. Seu trabalho ao lado do representante italiano, o cavalheiro Tonello, mostrou extrema habilidade em dividir as divergências em fatias menores e, pouco a pouco, apresentar soluções pontuais que pudessem ser acolhidas pelo Ministério Real e pelas hordas sectárias que odiavam a Igreja.

 

Testemunha da Paz

A expressão é do historiador Daniel-Rops, da Academia Francesa, ao definir a atuação da Santa Sé nos conflitos cruentos do Sec. XII. Escreve o autor: “O Papado assumiu o papel de testemunha da paz. Transcendente por definição – pelo menos em princípio… – a toda a querela política e a todo o partido, transcendente porque a origem de sua autoridade era divina e porque gozava de uma projeção universal, o Papado tinha, para desempenhar o papel de árbitro, a eminente qualidade de ser uno, de reunir numa só pessoa o julgamento e a decisão. Tudo o que se viu em relação aos poderes dos papas, aos seus direitos diretos e indiretos de intervir no mundo civil, e à doutrina das duas espadas, deve estar presente em nosso espírito, se quisermos compreender a psicologia dos homens que consideravam legítima a ação do Papado entre os beligerantes, bem como a dos pontífices que a exerciam. Mas não se tratou apenas da ação dos papas! Várias vezes, principalmente no caso de São Bernardo de Claraval e, mais tarde, no de São Luís, chegou-se a reconhecer um homem como autêntico árbitro político, simplesmente por ser um santo: o seu julgamento era considerado julgamento do próprio Todo-Poderoso”. (“História das Catedrais e das Cruzadas”, Ed. Quadrante, São Paulo, p. 311.)

Saltando do Séc. XII para o Séc. XX, vale lembrar que o Papa João Paulo II foi a única voz, clamando no deserto, que ousou condenar a agressão dos Estados Unidos contra o Iraque, na Guerra do Golfo, em março de 2003. Hoje, a Europa sitiada sofre as consequências desse erro histórico. (ACS)

Foto: La Nostra TV

 

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