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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista O Lutador 3865 Imigracao

A atual entrada de milhares de haitianos pela fronteira do Acre é objeto de debates e reflexões na sociedade brasileira…

No dia 18 de janeiro de 2015, foi celebrado o Dia Mundial dos Migrantes e dos Refugiados. Para a data, o Papa Francisco publicara, em 3 de setembro de 2014, uma mensagem que convidava toda a Igreja a rever suas atitudes em relação ao crescente número de pessoas deslocadas de sua terra.
Como pano de fundo, a dura realidade das catástrofes naturais, secas prolongadas, quebra nas colheitas, guerrilhas locais, conflitos tribais e a crescente perseguição religiosa. Nos últimos meses, a mídia vem destacando as milhares de mortes de migrantes africanos que tentam atingir a Europa através do Mediterrâneo.
Ao mesmo tempo, em vários países do Primeiro Mundo os partidos de direita tentam atrair os eleitores com a promessa de fechar as portas para os imigrantes considerados “incômodos”, valendo-se do sentimento de mal-estar com a presença dos estrangeiros que “roubam” empregos aos cidadãos locais.

O brasileiro é acolhedor
Matéria assinada por Carolina Mazzi e divulgada no portal “Outras Palavras”, faz referência a uma recente pesquisa do Instituto Ipsos Mori, realizada em 23 países, segundo a qual, em todo o planeta, a população brasileira é a mais receptiva aos imigrantes. Quase metade dos brasileiros (49%) dizem que os imigrantes tornam o país um lugar mais interessante de se viver, e 47% afirmam que a entrada dos estrangeiros beneficia a economia nacional.
No polo oposto, e reforçando a mentalidade europeia, a mesma pesquisa aponta que 38% dos brasileiros acreditam que os imigrantes atrapalham na hora de conseguir emprego, e 41% afirmam que há um número excessivo de estrangeiros morando no país.
A mesma matéria cita dados do Ministério da Justiça, que apontam um crescente na entrada de trabalhadores no Brasil: em apenas um ano, o número de vistos concedidos mais do que dobrou. Os imigrantes legais no país já chegam a 1,5 milhões de pessoas, e os ilegais são estimados em 600 mil, muitos vivendo em condições precárias nas grandes cidades ou trabalhando em condições próximas da escravidão.
A atual entrada de milhares de haitianos pela fronteira do Acre é objeto de debates e reflexões na sociedade brasileira. Se, antes, apenas os Estados Unidos e a Europa eram vistos como oásis de desenvolvimento, agora com a crise que parece não ter fim, outras potências começam a atrair aqueles que buscam vida nova, recorda Mazzi. É o caso dos 4 mil haitianos legalizados que chegaram às grandes metrópoles brasileiras em busca de emprego, principalmente na construção civil.

O rosto de Cristo
A Igreja Católica não pode deixar de ver no rosto do imigrante a própria Face de Cristo. Em sua mensagem, intitulada “Igreja sem fronteiras, mãe de todos”, data de 23 de setembro de 2014, o Papa Francisco escrevia:
“Jesus é ‘o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa’ (Evangelii Gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulneráveis e marginalizados, a todos convida a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento, sobretudo nas vítimas das novas formas de pobreza e escravidão. Diz o Senhor: ‘Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo’. (Mt 25,35-36.)
Por isso, a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-lo e amá-lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem por tema: “Igreja sem fronteiras, mãe de todos.”
No comportamento do cristão, tanto a indiferença quanto a hostilidade em relação aos migrantes deve ser traduzida como um contratestemunho de sua fé, verdadeiro escândalo para o mundo pagão. Daí as palavras de Francisco:
“A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável. A comunidade cristã, se viver efetivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paciência, solidariza-se com a oração e as obras de misericórdia.
Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa época de tão vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperança, com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de condições de vida mais humanas.
Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de conhecerem as histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.”
Violência provoca o êxodo
A ACNUR, Agência da ONU para os Refugiados, informava em seu site, em 6 de maio de 2015, que se verifica atualmente um recorde de deslocamentos internos no planeta, somando 38 milhões de pessoas deslocadas pela violência crescente, sendo 11 milhões apenas no ano passado. A cota equivale à soma das populações de Londres, Nova Iorque e Pequim.
O relatório “Global Overview 2015: People Internally Displaced by Conflict and Violence” reconhece a falência dos esforços despendidos. “Diplomatas globais, resoluções da ONU, negociações de paz e acordos de cessar fogo perderam a batalha contra a crueldade de homens armados, que são guiados por interesses políticos ou religiosos em vez de imperativos humanos”, disse Jan Egeland, secretário geral do NRC – Conselho Norueguês para Refugiados. “Este relatório é um importante alerta. Devemos romper com essa tendência de milhões de homens, mulheres e crianças estarem presos em zonas de conflito ao redor do mundo.”
Nos últimos meses, por várias vezes o Papa Francisco se referiu à situação desesperada das pessoas que se arriscam no Mar Mediterrâneo, tentando a sorte em frágeis embarcações. Além de comparecer pessoalmente à Ilha de Lampedusa, ao sul da Itália, ponto de chegada de milhares de refugiados africanos, Francisco interpela os governos da Europa no sentido de uma ação direta para obter um esforço conjunto para dar fim às guerrilhas e perseguições de cunho religioso.

Partilha e renúncia ao bem-estar
O Papa Francisco, sensível ao drama de tantos refugiados e migrantes, convida o cristão a criar espaços de acolhida para tantas vítimas da violência. “Jesus Cristo está sempre à espera de ser reconhecido nos migrantes e refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e, por vezes, a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa Paulo VI, ao dizer que ‘os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros’. (Octogesima Adveniens, 23.)
Aliás, o caráter multicultural das sociedades de hoje encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização. Na realidade, os movimentos migratórios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necessários para assegurar a convivência harmoniosa entre pessoas e culturas.
Para isso, não é suficiente a mera tolerância, que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de diferentes origens e culturas. Aqui se insere a vocação da Igreja a superar as fronteiras e favorecer a passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização […] para uma atitude que tem por base a cultura de encontro, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno.” [ACS]

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