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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica Olutador Junho 3889 F 1 P 11

50 anos da Populorum Progressio Uma profecia do mundo moderno

Em março de 1967, o Papa Paulo VI publicava a encíclica que ressoaria pelo planeta como vigoroso alerta em tempos de guerra fria, clamando pela “urgência de uma ação solidária neste virar decisivo da história da humanidade”. Passados 50 anos, o texto do Papa Montini pode ser lido como profecia.

 

O Documento de Paulo VI, intitulado “Populorum Progressio” [O Desenvolvimento dos Povos], foi dirigido “aos bispos, sacerdotes, religiosos, fiéis e a todos os homens de boa vontade”, o que lhe dava uma dimensão universal. Logo de início, ele se refere às “aspirações do homem”:

“Ser libertos da miséria, encontrar com mais segurança a subsistência, a saúde, um emprego estável; ter maior participação nas responsabilidades, excluindo qualquer opressão e situação que ofendam a sua dignidade de homens; ter maior instrução; numa palavra, realizar, conhecer e possuir mais, para ser mais: tal é a aspiração dos homens de hoje, quando um grande número dentre eles está condenado a viver em condições que tornam ilusório este legítimo desejo. Por outro lado, os povos que ainda há pouco tempo conseguiram a independência nacional, sentem a necessidade de acrescentar a esta liberdade política um crescimento autônomo e digno, tanto social como econômico, a fim de garantirem aos cidadãos o seu pleno desenvolvimento humano e de ocuparem o lugar que lhes pertence no concerto das nações. (Nº 6.)

Depois de meio século, a sociedade humana não só foi incapaz de solucionar esses problemas, mas assistiu ao seu agravamento. Acentuou-se o desequilíbrio, agravou-se a desigualdade, explodiram as migrações forçadas e a solidariedade internacional não foi suficientemente generosa.

 

Um documento atual

Matéria assinada pela eminente jornalista Stefania Falasca, publicada pelo jornal italiano “Avvenire” [23/03/2017], situa o contexto da publicação da Encíclica:

“No clima da guerra fria que então se respirava, o Papa mostrava que a verdadeira cortina de ferro não estava entre o Leste e o Oeste, mas era aquela que separava o Norte do Sul do planeta, ‘os povos da opulência’ dos ‘povos da fome’. Uma constatação tão dramática quanto simples, que vinha quebrar o velho clichê tão caro aos numerosos tutores do equilíbrio de poder da época: a visão de um Papa alinhado com o Ocidente”.

Assim, simplesmente por falar do capitalismo como ‘fonte de muitos sofrimentos’, no texto da Populorum Progressio, Paulo VI era acusado de cumplicidade com o marxismo e de incapacidade ao analisar e diagnosticar os fenômenos econômicos. Seria interessante fazer uma aproximação entre as reações contra Montini, na época, e as atuais reações contra Francisco, em nossos dias. Hoje, como há cinquenta anos, o grito pela solidariedade ainda é visto como ameaça pelos donos do capital.

 

O dever urgente

A proposta de Paulo VI em sua encíclica ampliava a visão típica da Doutrina Social da Igreja ao propor, como dever grave urgente, a instauração de uma justiça social encarada do ponto de vista do lado perdedor da humanidade, ao mesmo tempo que rejeitava um modelo de desenvolvimento que deixava à margem a maior parte das nações.

No item 14 do Documento, Paulo VI apontava para uma visão cristã do desenvolvimento: “O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo, como justamente sublinhou um eminente especialista: ‘Não aceitamos que o econômico se separe do humano; nem o desenvolvimento, das civilizações em que ele se incluiu. O que conta para nós, é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até se chegar à humanidade inteira’”. (L. J. Lebret, OP)]

Este aceno à destinação universal dos bens ainda provocava (e ainda prova) alergia nos centros de poder, que ficaram arrepiados diante das palavras que Paulo VI repetia: “Não dás da tua fortuna, assim afirma santo Ambrósio, ao seres generoso para com o pobre, tu dás daquilo que lhe pertence. Porque aquilo que te atribuis a ti, foi dado em comum para uso de todos. A terra foi dada a todos e não apenas aos ricos”. E o Papa acrescentava: “Quer dizer que a propriedade privada não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto. Ninguém tem direito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que é supérfluo, quando a outros falta o necessário”.

 

Palavras proféticas

Paulo VI não teve medo de denunciar o capitalismo liberal. Ele vai direto à raiz dos problemas: “Infelizmente, sobre estas novas condições da sociedade, construiu-se um sistema que considerava o lucro como motor essencial do progresso econômico, a concorrência como lei suprema da economia, a propriedade privada dos bens de produção como direito absoluto, sem limite nem obrigações sociais correspondentes. Este liberalismo sem freio conduziu à ditadura denunciada com razão por Pio XI, como geradora do ‘imperialismo internacional do dinheiro’. Nunca será demasiado reprovar tais abusos, lembrando mais uma vez, solenemente, que a economia está ao serviço do homem”. (Nº 26)

Para Stefania Falasca, “hoje é fácil reconhecer a tonalidade profética contida na encíclica de 1967 e a sua pertinência com a realidade deste pedaço de século, da qual ela tivera a premonição aos individualizar suas derivas devastadoras. Basta ler os números da fome, as crônicas de guerra, os sofrimentos que pagaram ou ainda pagam os países em via de desenvolvimento, o fenômeno da imigração para o ocidente em época de globalização, os desequilíbrios entre Norte e Sul, o triunfo planetário do livre mercado – livre especialmente para o tráfico de armas e de drogas”.

A ornalista ainda recorda que os princípios desenvolvidos por Paulo VI encontram um eco muito fiel no magistério do Papa Francisco, na Encíclica “Laudato Sí”, autêntica evolução do texto de Montini. Para a jornalista italiana, “é a Populorum Progressio que retorna: mais provocante, mais urgente e necessária do que nunca”.

Fonte: Avvenire

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